“Há quem diga que a peste chega de fora. Que vem de longe, que atravessa fronteiras, corpos e linguagens, até se instalar entre nós. Narrativas confortáveis, preservam a ilusão de que permanecemos intocáveis, num lugar imune. Mas a peste irrompe e propaga-se, insinuando-se no curso esperado das coisas, obrigando-nos a olhar de novo para o que somos, para o que evitamos e para o que insiste. A peste não destrói, a peste revela, expondo a fragilidade das narrativas que nos devolve ao desconforto.
Ecos da Peste, nasce no espaço limiar entre o Dentro e o Fora, entre o Interno e o Externo.
Acolhe as narrativas coerentes, as identidades arrumadas, as biografias que parecem fazer sentido. Mas acolhe também as inquietações do que fica do lado de fora, do que foi recusado, do medo, do absurdo, do desejo que não coube, da história que não se contou.
Ecos que nos relembram que nada desaparece, que tudo muda de posição, que assumem
a forma de ruído, sintoma ou repetição. Ecos que se revelam no exercício da escrita de uns e na escuta de outros, num espaço onde persistem murmúrios que nos atravessam e confrontam com algo estranhamente íntimo. A peste não está apenas no mundo, está na forma como o habitamos.
Sem negar as experiências acumuladas do passado, pretendemos que este blog estimule
a reflexão. Um espaço de partilha e de livre acesso a toda a comunidade SPP, de contágio criativo e de propagação da curiosidade, habitado pela coexistência de ideias e
pensamentos, onde diferentes perspectivas possam gerar novos diálogos.
A peste anda por aí, à espreita. Mas se a peste se espalha, o eco retorna, enigma que nutre a reflexão. Agora, a porta está aberta: sintam-se convidados a participar.”
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